DEPOIS DO HORÁRIO NO
LE CHEVAL D'OR

Algumas refeições transformam-se em histórias que vale a pena escrever. O nosso serão no Le Cheval D’Or, no 19.º arrondissement de Paris, foi certamente uma dessas refeições.

Uma mesa comprida, algumas garrafas (demasiadas, dependendo de quem perguntar) e três amigos que sabem que a comida só é tão boa quanto as pessoas com quem a partilhamos — Luís, Nadim e Cris, obrigado por nos receberem.

ISTO. X LE CHEVAL D'OR EDIÇÃO LIMITADA

Antigamente um restaurante chinês no final dos anos 80, o Le Cheval D'Or é agora um brilhante diálogo híbrido entre a China e a França, combinando técnicas francesas delicadas com sabores asiáticos arrojados (e arrojadamente picantes). O menu desenrola-se como um dueto: Oriente e Ocidente em perfeita harmonia. Um creme de ovos sedoso servido na própria casca foi o discreto número de abertura. Ravioli chineses a nadar num caldo rico que fazem a conversa parar a meio da frase.

De qualquer forma, os pratos continuaram a chegar como pequenas surpresas, um após outro, até os figos sobre massa estaladiça encerrarem tudo suavemente.
Se há algo que estes rapazes nos ensinam é que as melhores coisas não precisam de fazer alarde. Precisam apenas da intenção certa e de amor. É disso que trata a cozinha.

Partimos algumas horas mais tarde, caminhando de volta para a noite parisiense com a calma certeza de que algo especial tinha acontecido: à volta da mesa, à volta da cidade, à volta das pessoas que fazem valer a pena voltar.

É bom que Paris ainda não tenha acabado connosco.

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