CASA DO CIPRESTE

UMA CASA QUE VIVE AO SEU PRÓPRIO RITMO

A partir da estrada, a Casa do Cipreste parece modesta.
Não há qualquer indício do que é, de quem a construiu ou do que se encontra para lá dela. Passaria pelo portão sem lhe dar grande importância. Esta casa é uma joia escondida nas montanhas de Sintra.


Raul Lino é frequentemente chamado o pai da casa portuguesa. Aqui, numa encosta com vista para o Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros, construiu uma versão que guardou para si. Hoje, Pedro entra na casa do seu tio-avô. A casa foi integrada na encosta, com vários níveis desfasados, cada um deles a envolver uma divisão mais singular do que a outra.

Com azulejos e peças de mobiliário concebidos pelo próprio Raul, nada é deixado ao acaso e a casa revela-se lentamente. A cada novo olhar, há algo que ainda não tinha reparado a recompensá-lo. A sala de jantar, construída em forma oval para que todas as conversas circulassem à volta da mesa e ninguém deixasse de ser ouvido. As paredes construídas para acomodar as pedras naturais que já ali se encontravam.

O tempo parece passar de forma diferente ali, à medida que a luz do sol enche a casa, divisão após divisão, iluminando novos recantos por descobrir. É uma casa vivida, e essa é a sua beleza. O neto de Raul vive agora ali, o que significa que a casa nunca teve de se explicar a um estranho. Afinal, há coisas que vale a pena manter exatamente como eram.